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Flávio Mello

FLÁVIO MELLO

 

Autor do livro Cantos do Cotidiano, Flávio Mello é graduado em Letras - Literatura, com especialização em Práticas e Vertentes - Literatura Africana e Infantil e Mestrando em Ciências da Religião na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC/SP. Onde escreve sobre O Cristo Cósmico na obra poética de Jorge de Lima. É membro da Academia de Letras da Grande São Paulo, cadeira 02, Patrono Olavo Bilac. Também é professor, palestrante, coordenador editorial e escritor, autor dos livros Seleção Natural (2006), Amar, só se for armado (2008) e João e seu Baú Mágico (2009), todos pela Editora Espaço Idea. Atualmente é professor convidado em Universidades e colégios onde ministra aulas sobre Literatura, Escrita Criativa, o Conto Contemporâneo e Poesia.

 

Contatos:

Skook de Algarobas Urbanas

 

 

 

 

Conheça 03 trechos dos contos do livro Cantos do Cotidiano, de Flávio Mello:

 

 

NÃO SOU UMA MULHER
ou por que não posso ser feliz?



"O que aconteceu com a gente, tudo era tão flor, tão poesia, hoje vejo nosso dia cinza e o azul, exuberante do ontem, se foi com as facadas do tempo, o que aconteceu com a gente, Não sei, Lembro-me de quando começamos, tantos sonhos, tantos ideais, onde foram, pra que Sul migrou nossos sonhos, o teu sonho, que um dia foi tão meu, tão nosso, Não sei, Onde se escondeu o Amor, que recitou tão Camões em meu coração, nossos corações, um amor tão vivo e latente, tão Neruda e cheio de luz e calor, Não sei, Por que se calou no escuro, por que me deixou esperando, por que carreguei nosso sonho tanto tempo no ventre, por que perdi tão prematuramente a chance de ser mãe, Não sei, Me diz, por que a vida que senti dentro de mim, de minhas entranhas, por que essa vida tão profunda e fervente se foi num jato de sangue e pedaço, pedaço de corpo, de gente, Não sei, Por que carreguei a dor de tudo, a dor de mundo, do mudo que num instante foi gente no outro foi borrão, Não sei, Por que, por que, por que me sinto só e vazia, por que não sinto você perto de mim, dentro de mim, por que me sinto tão distante de tudo, não só de você, do trabalho, da família, e até de mim mesmo, sou um Eu sem Eu e sem ego, Não sei, Tenho tanta dor no peito, tanta falta no peito (...)"

 

[...]

 

TODOS OS PERSONAGENS DESTE LIVRO E AS HISTÓRIAS AQUI NARRADAS SÃO MERA FICÇÃO
ou apenas a criação de alguém que se chama solidão



"Interrupção brusca no discurso.

Nossa o que se passa, O que se passa com o quê, Por que fez isso, Fez o quê, Por que cerrou minha fala, como se não fosse importante, Ora, não seja tolo, nem me venha com ladainha, sabe que vão pensar besteira, Vão..., vão quem, Ué..., as pessoas, E eu lá ligo pras pessoas, Ué, você não, mas... mas eu sim, ué..., que coisa, Ai, deixa de ais e vamos logo terminar com isso, Já disse que não, para, deixa-me quieta e ponto, Ponto, como pode, Como posso, É só se calar, ué..., Não me refiro a isso, isso compreendi, compreendi na primeira, e não gostei, Não gostou do quê, Não gostei do tom, Mas quê, Tom, Tom... mas que tom, filho, Ora bolas, que papo é esse, Ora bolas, que papo é esse, que papo é esse, se tivesse se calado...

Interrupção brusca, novamente, no discurso."

[...]

 

E, NUM DIA CINZA
ou quem somos



"Esses dias me botam pra baixo, Eu sei, Sabe, será que sabe mesmo, Acho que sim, amor..., Nossa quanto tempo faz, quanto tempo, Quanto tempo o quê, Que não me vem de amor..., me chamar assim, nossa, séculos, nem nas guerras, nem nas pazes, nem nos mares, parece que me vejo perdida num deserto e num deserto de mim, de mim mesma, sem meu eu, seu um eu para encher-me até a tampa, mesmo não havendo tampa, Como não há tampa, eu sou a tampa, É, quem sabe, pode ser, Pode ser, como assim, o que foi, Nada lindo, esquece, acho que é o tempo, esse céu cinza, esse lar escuro, com cheiro de mofo, tão vazio de cor e cheio de sombras largas e profundas, as vezes parece que me afogo nelas, que me perco dentro de um mar de escuridão, Sou um ponto de luz nessa hora, É, pode ser, mas distante, entende, Nossa, vive acabando com minha poesia, Por que nem tudo é literatura, Nossa eu sei, como você pode, nossa... Nossa... como posso, como posso erguer-me de manhã e olhar o céu, um céu como esse olhe, vê..., entende, Sim, está feio mesmo, Nossa demais, parece que as corres escoaram durante a noite e foram ralo abaixo em algum rio poluído da humanidade, Nossa como você fala bonito, Bonito, É profundo, sei lá, parece que filosofa tudo, que tudo há porquês? acho tão bonito, tão bom te ouvir, você me inspira, Inspirar, sei lá, parece tudo tão perdido, não aguento ver o dia assim, Assim como, Morto, Morto, É morto, fenecido, estiolado, como se uma foice tivesse rasgado a barriga da vida e sugado toda a essência da humanidade, olhe as pessoas, olhe as pessoas, O que tem as pessoas, Olhe para as vestes, olhe o que cobre seus corpos, olhe tudo tão antigo, com cheiro de naftalina ou gosto do guardado, guarda-chuvas, sobretudos, tudo tão escondido, Pronto, Pronto o que amor, A energia voltou, Graças a Deus... a novela."

(Texto Completo)

 


 

Livro: Cantos do Cotidiano

Autor: Flávio Mello

Gênero:
Contos

ISBN: 978-85-64308-52-7

Número de Páginas: 112

Formato: 12x18

Preço: R$ 28,00 + Frete