| MARCO AQUEIVA
Marco Aqueiva, professor de literatura no ensino superior, poeta e crítico, é autor de Neste embrulho de nós (Scortecci, 2005) e Sóis, outono, sou? (Dulcineia Catadora, 2009). Em parceria com Gonçalo Moraes Galvão desenvolve o projeto Diálogos Literatura e Psicanálise no Cinema. Coordena o Projeto Valise (http://aqueiva.wordpress.com/) e integra o coletivo Quatati, de produção e divulgação de literatura. http://quatati.blogspot.com.br/
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Conheça quatro poemas do livro O Azul Versus o Cinza / O Cinza Versos o Azul, título premiado pela Secretaria de Cultura de Atibaia:
vii
a pedra reverbera
sede para as nuvens um passo arrastado para nada a língua que solta rinchos para o peso bruto da areia
a cabaça desprende-se dos dedos desce chitão abaixo já submersa pelas paredes do corpo
uma cacimba mirrada de vozes faz eco aos cacos que desaguam na brancura desigual como toda areia
reverbera o seco
***
xiii
há um pouco de chão e fumaça que nossa desencontrada memória faz ouvir germinar e falar mas não se arranca deste pé de pedra
há mesmo um pouco de profecia de relógio d’água que ruínas não juntam que nosso estilhaçado coração sente pulsar alto o espírito lá dentro no interior da pedra
há até um pouco de freio na fome de juventude abafada que nossos dentes ainda armados de força e badaladas não repõem violentos nas sete auroras da pedra que chamávamos mesa
***
Entre acessos passagens anuncia-se
ontem se esquiva à cicatriz das mãos à sucessão de corpos deslizando entre os vazios e beiras de um mergulho ponte pênsil, mar me afogando em sílabas
areia que me escapa das palavras
os flancos mal abertos do navio encalhado na redondez do tempo abertas sílabas desencontradas ponte pênsil, mar me afogando em sílabas
praias pedras biquinha pombas pedras quebra-mar junto às águas da memória evaporando-se ante sonhos e ânsias
areia que me escapa das palavras
os flancos mal abertos do navio encalhado na redondez das sombras outros pés mãos na redondez da fuga
azul do olho em lodo e transparência
***
Naquela época o cinza ainda não nos esticava os arredores as mãos sem projeto ainda não abriam as rotas para dentro os pés em torta revista ainda não se retraiam sob o tráfego o corpo neste complexo ainda não se desvascularizava inteiro
Naquela época entre dores preocupações e outros cansaços toda erosão do corpo redescobriu-se nos lençóis de asfalto
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Livro: O Azul Versus o Cinza / O Cinza Versos o Azul
Autor: Marco Aqueiva
Gênero: Poesia
ISBN: 978-85-64308-38-1
Número de Páginas: 132
Formato: 14x21
Preço: R$ 25,00 + Frete
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