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Eduardo Lacerda

EDUARDO LACERDA

 

Eduardo Lacerda, autor do livro de poemas Outro dia de folia, nasceu em Porto Alegre em 1982, mas vive em São Paulo, cidade que ama, desde os dois anos de idade. Cursou Letras, com habilitação em Português e Linguística, na Universidade de São Paulo, mas não concluiu o curso. Como um legítimo geminiano, também não conseguiu concluir nada até hoje. Coeditou a Revista Metamorfose e O Casulo – Jornal de Literatura Contemporânea. Já trabalhou como assistente de produção cultural na Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura e como produtor cultural no Programa São Paulo: um Estado de Leitores. Atualmente, é coeditor da Editora Patuá, onde acredita que livros são amuletos. Tem poemas publicados em revistas eletrônicas e impressas como Entrelivros, Mirante, Ventos do Sul, Cronópios, Germina e em algumas antologias, como a Antologia Vacamarela e El Vértigo de los Aires (México). Não se considera poeta, sua verdadeira paixão é fazer nascer livros e poetas. Não se leva a sério, embora leve a sério a literatura. Por fim, gosta de truco, tango, cerveja, tarot, video-games e orquídeas. Outro dia de folia foi premiado pelo ProAC 2011 - Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo. É editor da Editora Patuá, produtor de eventos culturais e diretor da Public.Inc - Incubadora de Publicações e Editoras Independentes.

 

 

Contatos:

Skook de Algarobas Urbanas

 


Conheça três poemas de Eduardo Lacerda:

 

A última Ceia


Há regras à mesa
como em um brinquedo
de quebra-cabeça.

/ E eu não entendo
os dispostos à esquerda

dos pais.

Restos do pequeno
que sentavam ao meio

da mesa (como prato
que se enche
e procura lugar entre
as pessoas
). /

Já não me encaixo
depois que aprendi
a olhar de lado
e sair por baixo.

***

 

Aceno


Como
um equipamento
que

funciona, mas
apresenta

defeito,

em
algum momento

escolhi como gesto

algo entre
a dúvida
e o excesso.

/ se me dou meio abraço,

(pois é isso o que faço:
passo meu braço direito
pelo meu peito

e toco meu ombro
esquerdo.)

o meu reflexo,
quando me toco,
e me chamo

é olhar para o outro lado.
/

E se me ignoro, quando me chamo,

(quando toco meu ombro)

como a um aparelho
para que
pegue

no tranco,

eu me soco

para que aceite

o meu afago.

Não funciona.

Dar de ombros é

o meu aceno.

***

 

O falso enforcado


Todo homem
é arcano
em seu jogo
e destino.

Digo,

Todo homem o enforcado. Todo homem seu demônio.
Todo homem seu impossível

significado.

O poeta, o poeta é sibilino.

Face a forca

ele força
seu pescoço
contra a corda.

acorda
o grito

vibra a
vida,

engasgada na garganta.                

O poeta canta,
mesmo morto
a carta da morte.

 

 


 

Livro: Outro dia de folia

Autor: Eduardo Lacerda

Gênero: Poesia

ISBN: 978-85-64308-63-3

Número de Páginas: 136

Formato: 16x23 - capa dura

Preço: R$ 30,00 + Frete