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Edmilson Felipe

EDMILSON FELIPE


Nome: Edmilson Felipe

Ordem: Primata

Família: Homínidas

Gênero: Homo

Espécie: Sapiens-Demens

Biografia: Antropólogo, nasceu em São Paulo e desde a infância aconchega o mundo das ideias sobre a olha branca, criando códigos que iluminam a fratura exposta no ato da criação.

Obras publicadas: Um self no cadafalso (Patuá, 2015); O Susto do Sapiens (2a edição - Editora Patuá, 2014), Dias de Rock and Roll (Patuá, 2012), O Susto do Sapiens: Ensaios Antropoéticos (Primeira Edição Editora Ciência do Acidente) e - Antes o Medo (Selecta Editorial).

 

Contatos:

Skook de Algarobas Urbanas

 

Conheça 03 poemas do livro Um self no cadafalso, de Edmilson Felipe:

 

A REALIDADE É MEU ESCONDERIJO SECRETO
Para Célião e Luiz


É lá que deposito
ilusões beligerantes em guardanapos & porres intempestivos
onde sinto ecoar o amor através de gritos loucos por ruas extraviadas
onde me alimento de pão/fumaça nos transportes coletivos
em segundas-feiras cabisbaixas - sem futuro
onde entrego a moeda ao menino escuro malabarista de farol que agradece em nome de um deus afogado num mar de lama barroca
onde vejo a mulher com seu cão sorridente - defecante
onde observo os boêmios com seus copos de tempestade e máximas de sal grosso - feijoadas de clorofórmio - dentaduras e torresmos tortuosos
onde escuto mumunhas tropicais dos adolescentes sem namoradas na dança de um mistério solar
onde invado a propriedade alheia de berços e fotografias esquizofrênicas
onde jornalistas vomitam notícias de salvação do planeta sentados em sofás confortáveis e xícaras de seda leve.
onde vejo um país inteiro enxugando lágrimas por causa de um jogo de futebol anêmico - negociado...business my friend...business...
onde violências paquidérmicas de policiais robotizados acentuam as marchas fúnebres dos estarrecidos engajados
onde o crack passeia pelo crânio dos meninos ensanguentados na rampa da alegoria infantil – sem skate & videoclipe
onde o teatro das minhas ilusões perdidas acontece toda vez que desço aos infernos e tomo um refresco de óleo diesel sem gelo
A realidade é meu esconderijo secreto
pesadelo petrificado
onde eu possa finalmente abraçar
o cotidiano alucinado
e dormir com olhos abertos de êxtase

 

***


OS ANJOS BEBEM CICUTA


Meu olho nu
vítima de um casuístico
romance míope
observa atônito
as meninas que circulam
na passarela de concreto
Ao certo -, negociam o preço
batente  lancinante
referendado por corpos
& ideários bélicos
de belezura a toda prova
saúvas dedicadas
ao lucro diário
confinadas ao itinerário
dos desamparados
: maridos vitimizados
cadafalso & casamento
jovens universitários
surfando na onda da colação de grau
trabalhadores tentando esquecer
os trens da CPTM
vagões lotados e sombras arrancadas
por um pedaço de sol mediúnico
carros importados – bancos sofisticados
e playboys carregando quilos de depressão
motoboys vida-loka - rango delivery
fugindo da morte
no inferno das marginais
engraxates – professores – advogados – comerciantes – empresários – traficantes  - cantando o luto cotidiano
especulando o valor de um gozo efêmero & anestésico que promova o fim
das lágrimas contidas no universo da dor
amores ausentes e almas enrugadas
em finais de semana de melancolia - ressaca
afasia e falas arrependidas em brigas comprimidas entre o delírio dos dias amanhecidos

 

II

 

meu olho nu
constante corrosivo
de um esplendor daltônico
estuda anônimo
essas meninas
: anjos bebendo cicuta
liberando a escuta
a toda essa gente que custa
dormir
& sonhar
antes da labuta
e o retorno
ao lar/bar

 

***

 

O DRONE DO TEU DESEJO



O drone do teu desejo sobrevoando a selva da minha ousadia
- matadouro em desordem -
[coito ergo sum]
efêmeras folias no banho dos viajantes

...

mais dia menos dia o jogo vira de lado
o fogo arde...teima em arder
tua carne cheira na panela das circunstâncias
& o coração galopante detecta o gosto
no paladar latejante da luxúria lunar

...

[amar
é
um
acinte]

 

 


 

Conheça 03 poemas do livro O Susto do Sapiens, de Edmilson Felipe:

 

 

 

AQUI JAZ UM INSTANTE


As palavras – sempre elas,

mazelas de um argumento

que feriu a folha:

branca - lisa

Precisa indução que

evaporou-se na mente,

no estado presente em que

fecharam-se os olhos

ao diário de campo.

Sinistro adestramento do fato:

linear, lógico –, cartesiano relógio,

saber pedagógico por acontecer.

Onde jaz o instante,

dissonante ruído,

indescritível gemido,

sensação e sentido

do ser.

 

***

 


OBRA-PRIMA


A grande vertigem

e Deus libertando a origem de um alçapão.

Um som corrosivo

e o furor explosivo

formando um baita clarão.

Matéria da vida: líquida, sólida, gasosa

que goza a carícia dos astros

no rastro de uma partícula,

minúscula extração

da vesícula que corre

na ondulação do corpúsculo,

no músculo da estrela cadente...

Na ala nobre do cosmos,

brota a semente: planetas, vulcões e cometas

alucinados na dança,

mudança de um tempo amiúde,

virtude das incertezas.

Esparramadas na mesa,

as cartas abrem o jogo,

fogo cruzado que

não se reduz.

Desordenada destreza,

fecunda a existência,

reza a ciência

na crença

de mil anos-luz.

 

***


INVENÇÃO


Meia palavra e a descoberta por sorte,

meio mistério e um desejo de morte.

Dúbias declarações, sábias ações,

a vida confusa tem o seu sabor.

Cada um no seu castelo inventa um novo amor,

embarcando no porto, resvalando no corpo,

como numa brisa.

Entupindo a aorta,

batendo na porta de um coração à deriva.

 

****

 


 

Conheça alguns trechos do romance Dias de Rock and Roll, de Edmilson Felipe:


"Os pés pelados no asfalto. Nenhum puto no bolso. Triste como um cinzeiro. Sozinho e esquecido, vaga pela rua deserta. Agoniza, feito lesma no sal. Tragar a alegria dos lares, sorver o suor de algumas taças geladas e mastigar a ossada da vizinhança, são suas metas.
Em meio à neblina um vulto atravessa. Grita: - “Feliz Ano Novo!”
Continua andando com a cara no chão. Quarenta e dois anos, sem amigos, o coração sepultado e a imagem da morte latejando nos bagos. Para. Respira fundo e, como o enfarte não vem, volta e refaz os planos.
Enfia a cabeça no tanque cheio d’água. Calça os sapatos. Pega a mochila e limpa da gaveta a grana da pensão cafofo-cosmorama. Novo em folha, volta pra rua. Despreza a chuva de prata que cai em câmera lenta. Aperta o passo, desce a rua Mère Amedea, desvia da igreja e adentra no Araritaguába-BAR. Ambiente tosco. Letreiros falham. Alguns gatos pingados festejam, outros conversam.
Engole vários conhaques. Fuma um cigarro e ri. Tosse forte. O catarro passeia do peito a garganta. Chega à boca. Lança um míssil de cuspe no ar."

[...]




"Estou numa das salas de um palacete cinematográfico da Avenida Ipiranga. Pelo menos no que restou. A lanterninha, espécie em extinção, lança um foco de luz sobre mim. Coloca a mão no meu ombro e aplica um suave deslize. Respiro fundo. Com o rabo do olho, aprecio. Saia justa e panturrilhas. Um mundo a ser descoberto.
Ofereço a poltrona. Ela não pode sentar. Caminha e aloja algumas pessoas. Num plano maior, eu a observo. Interessante. Quem sabe um café no final da sessão.
Apenas quinze pessoas para duzentos lugares. Estou na última fila. Ninguém por perto. O filme começa. Cessam as falas. A moça volta e aplica um sorriso. Devolvo. Entrego-me ao filme. Contos da lua vaga. Misoguchi, Japão, 1953. Já vi.
O filme conduz o espectador ao universo cultural daquele país em plena guerra civil no século XVI. Dois homens e suas respectivas esposas fabricam objetos de cerâmica e tentam vendê-los no centro da cidade mais próxima. A luta pela sobrevivência e a busca por dias melhores. Busca e sobrevivência. Continuamos na mesma."

[...]



"É cedo demais para tentar as boates. Caminha. Entra numa livraria. Ambiente confortável. Ar condicionado e poltronas reclináveis. Prefere os sebos. Resquícios da sua geração, que tanto praguejou contra o capitalismo. Mesmo assim, distrai-se diante das obras. A paixão pelos livros vem desde cedo. Lobato, Pessoa, Rilke, Anjos, Hemingway, Dostoievsky, Sade, Burroughs, Baudelaire, Lispector, Hilst, Camus, Miller, Fante, e tantos outros. Retira o Bukoswki da estante. Senta numa poltrona. Lê. Na imensidão das palavras, relaxa. Esquece, um pouco, a face de Leila."


[...]

 


 

 

Livro: Um self no cadafalso

Autor: Edmilson Felipe

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 130

Formato: 14x21

Preço: R$ 37,00 + frete

 

 

 


 

 

Livro: O Susto do Sapiens - Ensaios antropoéticos

Autor: Edmilson Felipe

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 120

Formato: 15x20 - acabamento em capa dura

Preço: R$ 35,00 + frete

 

 

 

 


 

Livro: Dias de Rock and Roll

Autor: Edmilson Felipe

Gênero: Romance

ISBN: 978-85-64308-47-3

Número de Páginas: 150

Formato: 15x20

Preço: R$ 35,00 + frete