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Ana Rüsche

ANA RÜSCHE


Ana Rüsche, São Paulo (SP), 1979, é autora do livro de poemas Sarabanda. Estreou com o livro de poesia Rasgada (Quinze & Trinta, São Paulo: 2005), que recebeu tradução ao espanhol (Ed. Limón Partido, Cidade do México:2008, tradução Alberto Trejo, rev. Alan Mills). Depois publicou Sarabanda (poesia, Selo Demônio Negro, São Paulo: 2007) e Nós que Adoramos um Documentário (poesia, Ed. Ourivesaria da Palavra, São Paulo: 2010, apoio ProAC - Secretaria de Estado da Cultura). Em prosa, publicou o romance Acordados (Ed. Amauta, Brasil: 2007, apoio ProAC - Secretaria de Estado da Cultura). Possui inúmeras participações em antologias e revistas literárias. Escreve em www.anarusche.com.

 

Contatos:

Skook de Algarobas Urbanas

 


Conheça 03 poemas do livro Sarabanda, de Ana Rüsche: 

 

1.    O POEMA BRANCO

e ela montada
no topo da bicicleta ergométrica
uma caixinha de música
laqueada como gelo
a rodar, a esperar
a agulha hipodérmica de endorfina
para capar seu coração.

um romance raso.
eu queria ser um esquimó
mas entre uma faísca e outra,
o frio da estroboscópica,
a solidão me dá picadas
uma cocaína negra com mel
que me anima.

minhas mortes são semanais.
em lençóis alugados por pernoite
no degelo de teus cabelos negros
de latin lover

e como você faz a tantas donzelas
teus dedos apalpam
minha pequena morte úmida
e lhe aplicam um
grito seco na canção de rádio pela tarde
olhos pretos cheios de branco

mas agora é escuro
pela pia de mármore duro

ela derrama a borra de café
que se transforma em terra
e embala os natimortos de nossos sonhos

um romance raso.
e ela entediada roía unhas
na internet os esquimós
seus pés assustadoramente descalços.

***



REVENANT


talvez uma estrela caia dentro do copo
talvez a Loucura mande um cartão-postal

(Ademir Assunção)

 


minha mãe foi morta num século de entranhas
quando os pássaros escuros
emprestaram do solo o aço para suas asas

e as filhas que criou para a terra
foram em minissaias cheias de batom e dentes
para os soldados e empresários

e os homens que amou sobre o barro
foram em busca de mulheres de revista e gravatas
sumiram com as bombas com as fábricas

mas agora nossa mãe retorna

com a pestilência de um cão amordaçado
para degelar e beber todas as neves eternas
para assassinar todos os homens e galinhas da China

***

 

A CASA DE REPOUSO – MONÓLOGOS

I.


Esses são meus amigos
Deixe que os apresento

II.


As flores azuis me chamam na porta
É sim uma piscina, não me acreditariam
Obrigado pelos cigarros.

III.


Pintei as flores sem cor, com o nanquim que me
trouxeram
Era daquele número da revista, aqui está
O problema é que minhas mãos coçam, elas me
escutam

IV.


O amor que ela me
deu virou aço e me enforcou
me vigiam
tomei banho de piscina e sol. não aguento as cor-de-
rosa

V.


As carniças de sempre
Não eram picadas de pulga
coçavam

VI.


Hoje pergunto
que não esqueci das flores

Os muros continuam altos

Só posso dizer que adorei as flores


 

 


 

Livro: Sarabanda

Autor: Ana Rüsche

Gênero: Poesia

ISBN: 978-85-64308-81-7

Número de Páginas: 100

Formato: 16x23

Preço: R$ 30 + frete