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Wilson Torres Nanini

WILSON TORRES NANINI

 

Autor dos livros Escafandro (Patuá, 2015) e Alcateia (Patuá, 2013), Wilson Torres Nanini é mineiro de 1980, vive em Botelhos-MG.

 

 

Contatos:

Skook de Algarobas Urbanas

 

 

 

 

Conheça 03 poemas do livro Escafandro, de Wilson Torres Nanini:


padre O. da serenidade


e saber ir-se a deus
a velhice é um caminho
o câncer é um atalho –
quando os desejos já são múmias
de que valem as hóstias sem açúcar
aos dentes já ausentes?
a igreja
dói devagar – apesar
de em seu meio:
negações ruminando galos
a cisterna de águas-vivas bentas
apaziguando
o excesso de miragens
as muitas madalenas
que me juram excrementos
mesmo após eu as ter
livrado
do apedrejamento

***


M. da farmácia
p/ leonardo mathias


por mais remédios que haja
a vida é sem antídoto?
há receitas infalíveis
mas redigidas
em hieróglifos ininteligíveis –
é em hora de particular
redemunho
que o brejo que temos dentro
vem à tona
depois dissimulado se diz:
água filtrada
translúcida
que nos afoga
– não porque seja profunda mas –
porque os instrumentos
(rosário revólver roseira)
de que dispomos para respirar a vida
por vezes não
funcionam

***

 

D. dos poemas mineirados
p/ silvana guimarães


a palavra mineiro já diz muito
escavação profunda –
quero ser um
mineiro escafandrista
aprofundar-me num aquário
de águas-vivas turmalinas
arrastar da praia até minas
as âncoras
e seus respectivos
cargueiros petrolíferos –
farei de sua pele origamis
pétalas para poemas
converterei sua alma
de ferro fundido
em trens de ferro bentos
– enfim
trarei o mar para
se deslumbrar com as palavras
que só podem ser ditas
à beira de um rio


***



Conheça 03 poemas do livro Alcateia, de Wilson Torres Nanini:

 

boi



I

apenas a metafísica
de nossos mitos
explica-nos

– enquanto o boi ergue a cauda
e produz matéria

II

solene
com mãos transfiguradas
afago na
(dele) face minha hoje
escassa identidade

III

no meio-dia sem álibi
na meia-noite sem alento
o boi (peso pelo e poesia
isenta) se indifere pois
intui que plenitude é
– rente ao prazer manufaturado –
deitar-se entre flores
na relva úmida
e lamber apenas
as próprias narinas



***



instituições

para José Aloise Bahia



depois que nasci morri
uma vida a cada dia

minha mãe nasceu para ser só
minha mas logo
meu irmão se atreveu a surgir

depois que cresci
catei o que me cabia
e pós-pródigo fiquei bêbado
de dizer adeus a meu pai

hoje do sótão/porão
bichos baldios mortos
em ângulos difíceis
me vêm mostrar
sua decomposição lírica

então deus te teço uma ins
trumental reza pois
palavra é azulejo
apenas: aprisiona (e
moldura) o que é pleno
só em fuga


***


redemunho

para líria porto



circum-arisco vento célere
– que fico o sigilo do chão de um rio –
em plena empoeirada rua

o sol me cega me sega o sol o sol me seca
o tato e sinto a sede tanta
de um mar interno

e para que meu cerne se reensolare
– poesia não duela afagos
(meço apaziguamentos
peso ausências) –
você me traz alumbrado mar

me relenta me
cataventa

me estende versos em lamparina
adivinhando enfim onde é
mais noite em mim

***

 

 


 

Livro: Escafandro

Autor: Wilson Torres Nanini

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 100

Formato: 14x21

Preço: R$ 36 + frete

 

 

 

 


 

Livro: Alcateia

Autor: Wilson Torres Nanini

Gênero: Poesia

ISBN: 978-85-64308-89-3

Número de Páginas: 100

Formato: 15x20

Preço: R$ 30 + frete