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Caio Tozzi

CAIO TOZZI

 

Caio Tozzi, autor do livro Quando éramos mais, é jornalista e roteirista. Nasceu em São Paulo no ano de 1984. Começou a carreira aos 11 anos, produzindo textos e ilustrações para o jornal Tribuna das Águas, de Águas de Lindóia, interior de São Paulo. É formado em jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduado em Roteiro Audiovisual na PUC-SP. Trabalhou com jornalismo e publicidade, concebeu e organizou projetos de livros e revistas e é responsável pela produtora audiovisual Vila Filmes. Atua como roteirista de filmes institucionais e documentários. É autor do livro de contos e crônicas Postal e outras histórias (2009) e diretor e roteirista do documentário Ele era um menino feliz – O Menino Maluquinho, 30 anos depois (2011).


Contatos:

Skook de Algarobas Urbanas

 

 

Conheça 03 contos do livro Quando éramos mais, de Caio Tozzi:

 

Trecho do conto “Quando éramos mais”


“Lembro vagamente de nós lá, limpos. Confesso que é com pesar que coloco a palavra vagamente nesta frase. Queria mesmo uma recordação com mais cara, mais alma, mais cheiro, mais flor, mais dor também. Há quanto tempo foi isso? Éramos limpos, lisos, lindos. Éramos gentis. Éramos humanos que erravam sem carregar sujeiras dentro dos sapatos. Uma coisa é colocar as sujeiras debaixo dos tapetes: a outra é carregá-las dentro dos sapatos. Temos pisado e carregado cada uma delas. O que será que aconteceu? Não éramos assim, juro que não: é o que eu me lembro. Mesmo que vagamente."


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Trecho do conto “A fome do mundo”



“Tia Doida chora lá dentro e o pai não chega. O pai não chega. A espera é ilusão: ele chegará, mas nada vai mudar. As crianças continuarão passando na calçada e enfrentarão à distância seu rosto triste. A relação de Rosa com o mundo não tem perspectivas de aproximação. Tia Doida chama Rosa, mas Rosa não está. Rosa sabe que está, mas pensa que não para não estar sem culpa. Assim se sente protegida. Rosa reza antes de dormir, antes do pai chegar, antes de comer, antes de acordar, antes de tomar banho, antes de ler uma história, antes de se instalar no banquinho e encaixar seu rostinho entre as grades. Antes que qualquer coisa aconteça, Rosa reza e tia Doida chora lá dentro. Tia Doida não tem este nome, é apelido dado por Pádua, que também é tio, mas não gosta de ser assim chamado. Pádua é Pádua e só. Tia Doida chora dia e noite porque, segundo explicaram para Rosa, tem medo do silêncio e tenta espantá-lo sem parar. Rosa gosta do silêncio, mas não tem escolha."


[...]


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Trecho do conto “Tonico cabeça de vento”

“Penteia o menino, Maria! Não dá não, dona, olha só: o cabelo dele voa feito passarinho, faz rodopio, não para no lugar. Já tentamos gel, já tentamos goma, já tentamos lacre, já tentamos até falar com dona benzedeira que mora perto do mar para resolver problema de Tonico, menino pequeno, tadinho, que não para de ventar. Taí na cabecinha, pertinho da moleira, três tufõezinhos que furam travesseiro, e com as penas o menino tosse noite inteira.
O pessoal começou a desconfiar disso tudo quando Tonico era pequenininho. Carinho na cabeça era vendaval na mão de quem oferecia. Ninguém entendia, coisa maluca. Na primeira vez que foi ao cabeleireiro, o moço engasgou com os fios que voaram na boca e anunciou: ele tem três redemoinhos nessa cabeça. Ninguém se preocupou, tão normal isso era. Mas não: os redemoinhos eram de vento, como se sacis travessos morassem em sua cuca.


[...]

 

 


 

Livro: Quando éramos mais

Autor: Caio Tozzi

Gênero: Contos e crônicas

Número de Páginas: 150

Formato: 16x23

Preço: R$ 30,00 + frete