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Lalo Arias

LALO ARIAS

 

Lalo Arias, autor do livro de poemas Cartas para Naíma, nasceu na cidade de São Paulo em 1953. Como todo bom geminiano, é um sujeito afeito às constantes variações no seu estilo de vida e, portanto, já abraçou inúmeras ocupações profissionais. Foi jornalista por mais de vinte anos na área de edição de arte da maioria dos grandes jornais da capital paulista. Foi dono de bar, gerente de pousada, cantor de banda de rock, escrevinhador de manuais de treinamento e viajante solitário. Foi também funcionário público no início da fase adulta. É poeta desde a juventude. Já viveu na maioria das regiões do país. Hoje em dia reside em Indaiatuba, lugar suficientemente distante e perigosamente próximo à cidade que tanto ama e, ao mesmo tempo, tanto odeia: São Paulo.

 

 

Contatos:

Skook de Algarobas Urbanas

 

Sobre o livro:

 

Este livro foi imaginado sob o impacto e a influência da audição de Naíma, balada composta por John Coltrane em 1959.
Os textos aqui publicados, escritos entre 06 de janeiro e 15 de março de 2010, nasceram na medida em que eu empreendia uma imaginária viagem pelo coração e pela mente de um homem que se permite enlouquecer e, consequentemente, morrer de amor por uma mulher.
Minha pretensão era que os versos destes poemas alcançassem a sonoridade, o ritmo, os lapsos de tempo e o desespero contidos na melodia de Coltrane. Pura pretensão, creio.
Num certo momento da criação destes textos, o que havia sido idealizado apenas como um livro de poemas tomou o aspecto de uma série de cartas endereçadas à imaginada amada Naíma; e, ao final, o que deveria ser um punhado de cartas de amor acabou se transformando, sem intenção alguma, num diário com contornos de conto.

Lalo Arias/março, 2013

 

***

 

Conheça 02 poemas do livro Cartas para Naíma, de de Lalo Arias:

 

7 de janeiro



Naíma, deixei os dois livros sobre o tapete
ao lado da mesinha de cabeceira.
Eu sempre alterno a leitura dos contos
de um e de outro livro.
E agora eles estão lá,
o Carver e o Shepard,
a Cidade e o Deserto, descansando.
E eu estendo a mão
procurando o interruptor do abajur
preso à parede sobre minha cabeça,
basta um toque e a noite se revelará inteira.
E com ela virá o desafio
que é o de seguir vivendo.
Meus cabelos embranqueceram. 
Estou cansado.
Meus olhos ardem.
Não tenho planos para o futuro
a não ser escrever.
Já tive planos de continuar
a correr pelo Mundo,
mas neste momento nada disso importa,
porque é como se eu corresse
por dentro de mim mesmo sem parar.
Então eu penso em você.
E é só o que tenho feito
desde que nos despedimos.
E é sobre você que eu escrevo
sem nunca desenhar seu nome.
Mas você está lá, Naíma,
em todas as poesias, inteira.
E é seu nome que eu repito,
bem baixinho,
como numa oração,
todas as noites antes de dormir

***

 

11 de janeiro


Naíma, você tinha razão,
parece mesmo insistência.
Tenho procurado sua voz por aí.
Estou sempre procurando
partes de você nos lugares
mais improváveis do apartamento.
Pode ser aquele olhar
decididamente sincero
ou aquele outro, meio triste.
Não importa o quê,
desde que seja algo seu.
Estou à procura
de uma velha música,
aquela que ouvíamos
repetidas vezes.
Estou procurando uma nova palavra,
como a que você inventava num instante
e que durava
toda uma vida.

Estou procurando a mim mesmo
e aquele jeito sem graça que eu tinha
quando nos encontramos
pela primeira vez.
Amor, eu estou perdido outra vez.
Desta vez, creio que para sempre.

 


 

Livro: Cartas para Naíma

Autor:
Lalo Arias

Gênero:
Poesia

Número de Páginas:
88

Formato:
15x20

Preço:
R$ 30,00 + frete