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Marcelo Ariel

MARCELO ARIEL

 

O autor, pela Patuá, dos livros Com o daimon no contrafluxo (2016) e Retornaremos das cinzas para sonhar com o silêncio (2014) nasceu em Santos, em 1968 e vive em Cubatão. Poeta, performer e dramaturgo, é também autor dos livros Tratado dos anjos afogados (Letraselvagem 2008); Conversas com Emily Dickinson e outros poemas (Multifoco, 2010); O Céu no fundo do mar (Dulcinéia Catadora, 2009), A segunda morte de Herberto Helder (21 GRAMAS, 2011); Teatrofantasma ou o doutor imponderável contra o onirismo groove (Edições Caiçaras, 2012) entre outros.

 

Contatos:

Skook de Algarobas Urbanas


Conheça 05 poemas do livro Com o daimon no contrafluxo, de Marcelo Ariel:

 

Blake in Love

A loucura das visões é rara

poucos conseguem sustentar uma visão

que se converte em pensamento autônomo do mundo

por isso é difícil que em nossa época apareça um Ezequiel

ou um Heidegger capaz de atravessar o abismo

e entrar outra vez no Jardim



***



COMO SER UM NEGRO


começa

tenho 09 anos

costumo ser

convocado para comprar cigarros nas padarias para as ondinas do puteiro, esta situação vêm da Fenícia ou do Egito

a iluminação pelos signos

não aprendemos a ler e escrever na escola , foi a vizinha

a negra Dona Marlene  me ensinou

quando cheguei no sistema escolar

aprendi que um avanço para nós

é visto como um atraso , um acidente

por muitos, os que trabalham para o opaciamento do sublime,

no senso comum

tudo parece ser  regido pela perda

do ser do tempo, do ser do espaço, do ser-do-ser

em nós há um Pássaro

que jamais canta

por isso jamais saberemos nosso verdadeiro nome

Um pássaro transparente

E um pensamento jamais pronunciado que é como uma libélula

Aos 09 anos aprendemos a jamais pronunciar o nome desse silêncio

ensurdecedor, quis dizer, desse pensamento enlouquecedor

aprendi a dizer sempre outra coisa

a perder por delicadeza

e isso é  parte do aprendizado

sobre o Sol

chamado



***


Airbag
Com Thom Yorke


A seguir a Guerra Mundial

dentro de um açougueiro  com uma faca.

Depois

estou renascendo.

Como luz neon,

pintado num muro

sempre renascendo.

Em uma explosão interestelar.

Depois volto para salvar o universo

do sono profundo.

Idiotas,

estou renascendo.

Agora estou em um carro alemão bem rápido,

sobrevivi porque

O airbag me salvou da explosão interestelar.

Foi assim que voltei do espaço

Foi assim que salvei o universo.



***


O  ANTI-ULYSSES

“Lugar preenchido de vazio“
Botika em Búfalo



E apontando para os oceanos, uma gota de esperma

Nossa Mãe Santíssima, veio do mar, ele diz

Um dia elaele acorda

mas esse voo não podemos

com palavras

evocar, porque

os nomes estão sempre

escondendo o estelar

nada dentro de  nenhum, tudo à direita  do Um, mas

se ele consegue

coisa alguma nomear

podemos  destruir e também  retomar

Porque nenhum país

é  realmente nosso lar

por isso essa rua

como a não mente

pode estar

em todo lugar



***


E eis que somos o transe da terra
“Não quero ir onde não há luz“
Fernando Pessoa

O demônio

foi criado

para que alguma coisa dentro do universo

da metafísica das religiões

se parecesse conosco, ele é

como uma falsa escolta de reflexos

do lado opaco do espelho ou da névoa

das trevas, uma lição fulgor

da irradiação

de uma impossibilidade

do vazio

Ele é o sentido histórico,

a lama que crescendo como  grama

repleta de agulhas

de ouro

O anjo do humano

andando pelas ruas

não verá  o povo,


vejo os números e eles nada me falam do sentido histórico sendo destronado para que os poéticos tomem o poder

e vomitem uma nação africana

na Alphaville soterrada

O riso dos rios enterrados

de São Paulo

procurando os céus

e a  ética do sublime será  como   essa tribo

de índios de água

 

***

 

Conheça 03 poemas do livro Retornaremos das cinzas para sonhar com o silêncio, de Marcelo Ariel:

 

SOBRE O TEMPO


Ali está o tempo como coisa
que não pode ser contida
jamais ignoramos sua potência flutuante
que a tudo limita e essências paralisa

nenhuma razão humana
tem o poder de evocar a força
capaz de o transfigurar em 
benevolente eternidade.

fora de toda palavra
em uma Paixão 
secretamente se move 
o que é  maior
que o Tempo
Oceano onde o rio do incomunicável 
deságua 
e o infinito 
através do instante contorna.

Ali está o Além-tempo
essência do maravilhoso silêncio
florescendo no espaço 
de um amor inominável
refletido na luz do incomensurável.

***

 

A LUZ ERA


A luz era
um filtro de silêncios,
pousada em nosso rosto
como a insônia de um pássaro
desde o início
Ela foi a claridade profunda
da brisa interior
imóvel como eram
na infância
as fugas
onde o tempo
imitava a eternidade
e evocava
o poder da brisa oceânica
que através da fragilidade
também ama com
cabelos de chama,
outra luz
que na porta de sonho
respira uma chave
de sombra.


***

 

Cosmogramas - Autobiografia Impessoal

 

(Segundo Movimento)



Acordar exigirá
uma codificação
do estranhamento,
a linguagem entrará
devagar em nosso campo,
Ela não é como a luz
embora igualmente
efêmera e constante,
como esse surto cósmico das manhãs
ela sequestra o ser
pedindo como resgate
o ausente sentido
para um silêncio
tão antigo.
Sendo assim
nunca termina
‘o acordar’
Porque a própria vida
não contém
suficiente espaço para
você
despertar.

 

 


 

 

Livro: Com o daimon no contrafluxo

Autor: Marcelo Ariel

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 150

Formato: 14x21

Preço: R$ 38,00 + frete


 

 

 


 

Livro: Retornaremos das cinzas para sonhar com o silêncio

Autor: Marcelo Ariel

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 150

Formato: 14x21

Preço: R$ 38,00 + frete