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Otavio Ranzani

OTAVIO RANZANI

 

Autor do livro Graúna Grampola, Otavio Ranzani nasceu em São João da Boa Vista e viveu a infância e juventude em Vargem Grande do Sul, interior paulista, vizinho do sul de Minas Gerais. Veio do interior para fazer medicina na capital, onde vive há 11 anos. É médico e pesquisador no Hospital das Clínicas da USP. Do interior, trouxe percepções aguçadas, rabiscos e uma história de ir pra roça na infância. Faz rascunhos desde os 16 e mantém há 07 anos o premiado blog “Canela Café”. Lá, além de poemas e micro-contos, associa ao texto fotografias. Apaixonado por música, hoje divide o tempo entre o hospital e a varanda da vida, quando sai para ver estrelas. Graúna Grampola é seu livro de estreia, tendo publicado poemas em revistas e antologias.

 

 

Contatos:

Skook de Algarobas Urbanas

 

 

 

Conheça 04 poemas do livro Graúna Grampola, de Otavio Ranzani:

 

MENINOS DE quadra

 

8.


Queria poder penetrar aqui
no texto com palavras quentes

sobre uma das mangas mais almejadas do pé,

leite e canudinho.

***

 

Orário


Mesmo ao abrir a janela
no meio da tarde,
e perceber os destroços da solidão

o fogo faz arder os pés das nuvens,
e as aves convulsionam no parapeito.

a respiração das cortinas,
as dilacerações da trilha de filmes impróprios.
os murmúrios no sorteio das rifas.

é a solenidade febril no asilo.
é a fadiga do palhaço idoso.

Um violeiro brinca simploriamente. E observa.

Ofegantes raios de luz ganham tristes espaços;
É a alegria convencida a fugir sem pagamento!

Na sacada,
a coreografia dos sentimentos alagados
aponta um tango assassinado.
Embrulhou o escândalo
num papel de seda.

Choro frio e silenciado.

***

 

Ditadura

 

Coleciono

as vezes que coloquei meu pescoço
num buraco,
como o

Pavão assovia um vento
e a
Iara nega um vulto na mata.


É emergência
Colocar na cesta do lixo
os
mimeógrafos.


***

 

A um exemplar de extrema histeria

 


A guenga dos meus sonhos
deve ter sardas excitadas sob o sol
e gritar meu chinelo ao ver baratas.

deve passar roupa sem chorar,
ver novela e refogar o feijão
comentando o futebol que eu não vi.

consegue fazer massagem
enquanto preparo a lâmina do barbeador.
não tem medo de dançar funk ao meu lado
e se entrega quando canto no buteco do Jair.

mastiga chiclete enrolando o cabelo,
pra não perder a vontade de amar no chão do elevador.

pode puxar meu suspensório
com o dedo na boca e amar filmes argentinos.
precisa dos cílios úmidos quando faço bobagem.
faz biquinho e passa batom no retrovisor em movimento.

Grampola:
você seria minha rosa
até o enterro da alma,
deitada de bruços
sobre minha coleção de LPs do Elvis.

 

 

 


 

 

Livro: Graúna Grampola

Autor: Otavio Ranzani

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 130

Formato: 15x20

Preço: R$ 30,00 + frete