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Maria Giulia Pinheiro

MARIA GIULIA PINHEIRO

 

Autora do livro de poemas Da Poeta ao Inevitável - PS: Entre mins, El_s e Seis Deusas, Maria Giulia Pinheiro estudou jornalismo, teatro e ciências sociais, mas trabalha como roteirista, diretora, dramaturga, atriz, produtora e o que mais oferecerem em troca de dinheiro honesto. Escreve poesias há quatro anos e se arrisca, nas horas vagas, a contos curtos. Formou-se na Cásper Líbero e no Teatro Escola Célia Helena e ainda cursa a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.  É diretora e dramaturga do grupo de pesquisas teatrais Companhia e Fúria e coordena o Grupo de Pesquisas Artísticas de Pulsões Femininas. Acredita que existe uma batalha a ser travada no campo do imaginário: criar realidades de poder feminino e explorar arquétipos diferentes do herói guerreiro.  Escreveu o manifesto Por um imaginário em que explora as contradições desta luta artística. Em 2012, foi diretora e dramaturga da peça Bruta Flor do Querer, em cartaz em São Paulo. Nasceu no dia 28 de maio de 1990, é geminiana, com ascendente em capricórnio, lua em leão e vênus em áries, mas diz por aí que não acredita em astrologia.

 

Contatos:

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Conheça 04 poemas do livro Da Poeta ao Inevitável - PS: Entre mins, El_s e Seis Deusas, de Maria Giulia Pinheiro:

 

 

Ao Beija-Flor


Às vezes acho que só
explodo
para evitar o tédio
de não explodir.

É que anda tudo tão careta, beibi.
e esse papo de “os outros”,
essa “paz interior”,
isso tudo é démodé,
a onda agora é se perder.

A gente podia era cair
naquela estrada da vez,
ir numa festa privê
ou passar a tarde jogando vídeo game e comendo brigadeiro de ovomaltine.

Devia
ler poesias de amor na rua,
ou eu gritar seu nome a madrugada toda
porque,
beibi,
faço tudo por você.

A gente vai voltar a ser aqueles jovens,
menos isso e mais a gente,
a gente vai voltar a ser aqueles jovens.

Quero acreditar, beibe,
acreditar na vida.

Parei de tentar ser isso aí,
longe,
serei só
e não me encha.

Tô querendo lamber seus gritos,
pular descalça nos seus vômitos
do passado
e principalmente, principalmente,
tirar sarro da ponta do seu dedo mindinho que é mais reta que as outras.

Então você
me aparece assim,
pai antes de rebento nascer,
cedendo fácil à pressão de se divertir no sábado à noite?

Ah, não, nem vem.
Me mande mil flores,
beibe,
me convoque para lhe encontrar hoje, a hora que for.
Diga: não saio daqui sem versos de amor,
me procure nas esquinas que gozo,
me faça gargalhar no sexo,
mas não diga, Beija-flor,
o óbvio.

***

 

Fim de noite


Doze discos,
um jantar,
a lua
e uma carona pra casa.


Doze discos são aquilo que não vivemos:
aposta perdida antes do fim:
faixas de experiências nunca compartilhadas.


O jantar,
a prova de que o acaso
é que faz golpes baixos:
me deixa
apresentar a você um universo,
me convida a
frequentar o seu
e nos força a pagar a conta
sem que saboreássemos
o ritual completo.


A lua, o que
contemplamos sem tocar:
a beleza
deste encontro.


A carona, sua parte nesta noite:
me deixar em casa
e nunca mais me buscar.

***

 

Vagalume


A luz é a própria liberdade do fim.
Quando encontrar um vagalume, menino, percebe:
ele é livre,
mas vive pouco.


***

 

Passagem

 

Tão bonito o ressuscitar.
É que a morte,
como vejo,
não é objetivo,
fim,
nada.


A morte é a virada de vida,
paixão,
começo preenchido,
novo zero.


A morte é um nascer de outro lado.


Tão bonito o ressuscitar:
nascer do mesmo lado,
depois de ter morrido,
é entender que não é o lado
que define a vida,
mas o modo de ser
vivo.


Tão bonito ressuscitar quando é preciso morrer.



 

 


 

 

Livro: Da Poeta ao Inevitável

Autor: Maria Giulia Pinheiro

Gênero: Poesia

Número de Páginas:
166

Formato:
15x20

Preço:
R$ 35 + frete