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Luiz Brener

LUIZ BRENER

 

Autor do livro de poemas Fotogramas, Luiz Brener nasceu em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo, em 1994. Segundo a cultura de prognósticos, o mês e a hora exata de seu nascimento indicam que ele é capricorniano e o seu signo ascendente é o de peixes. Em outras palavras: Luiz é um obstinado sonhador. Considera-se um poeta vocacionado (com toda a modéstia que lhe cabe) e um ator por acaso (acaso que tão “acaso”, tornara-se uma verdade irrefutável). Gosta de boa música, boa companhia, conversa fiada e de pagar meia entrada no cinema as segundas feiras. Por falar em cinema, Brener é um grande entusiasta de sétima arte (lê-se “entusiasta” como “amante despudorado”). Publicou nas antologias literárias O Segredo da Crisálida e Entrelinhas-Vol.2, ambas da Andross Editora. Anda por aí. Distraído, mas sempre atento. Fotografando com os olhos a beleza do impalpável.

 

Contatos:

Skook de Algarobas Urbanas

 

 

Conheça 02 poemas do livro Fotogramas, de Luiz Brener:

 

Das vantagens da ficção


Como de costume,

sem ter hora ou ocasião,

a verve me espreita

os sonhos mais sórdidos.

Ela se debruça sobre mim

e com seus lábios melífluos

me beija

ardentemente.

Somos o próprio caos.

Depois de algumas horas de

gozo trocado,

eu, ainda distante de mim,

me lembro de Dulce,

a bibliotecária que lambe

dicionários.

Recordo-me também de Agenor,

o velho que cultiva bonsais

em torradeiras.

Me vem a mente, por último, a persistência

de Hugo, o menino que empilha grãos de arroz

com um apuro sobrenatural.

O que

por acaso

nos aproxima

é justamente

o fato

de que sonhamos sozinhos.

O que

curiosamente

nos mantém ligados

é  aquilo que

nos denuncia.

A consciência de que meu eu

só existe em lírica

não é um incômodo.

Muito pelo contrário,

é o que

dá ao meu aglomerado de células imprecisas

alguma verossimilhança.

O mundo seria ainda mais infindável

se todo espírito pudesse desfrutar do

prazer

de

inexistir.

***

 

Como fazer
Aos companheiros ourives Renato Silva e William Delarte


Mantenha

em território livre.


O recomendável é que se

refugie na parte da cabeça onde

a verve

nunca anoiteça.

Regue de três em três instantes,

com choro, suor, sangue ou qualquer

outra fagulha humana.

Se possível,

acenda um incenso.

Não são poucos os que apregoam

que o gesto confere ao objeto

um certo ar de efeméride.

Não se preocupe

em lapidar.

Não se deixe assombrar

por devaneios quanto

a forma.

O único desejo que deve prevalecer

é o de

a joia floresça.

A coisa estará perto de se concretizar

quando estiver menos matéria sólida e

se tornar algo fino.

Mas ainda assim tão tátil

quanto o próprio vento.

E, por fim,

para assegurar

a garantia

de todo o processo,

sem remorso ou indecisão

você deve

atirar a pedra

no meio

do

caminho.

Observação pertinente: você deve atirar

a pedra

no meio do

SEU

caminho.

 


 

 

Livro: Fotogramas

Autor: Luiz Brener

Coleção: Patuscada - ProAC - 2012

Gênero:
Poesia

Número de Páginas:
96

Formato:
14x21

Preço:
R$ 25,00 + frete