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Nina Rizzi

NINA RIZZI

quer ser selvagem
quer des tudo
desmilitarizar
desescolarizar
descivilizar
na arte na tradução na poesia
na vida na vida na vida
arrisca desastres
nunca teve um nome ernesto
mas foi e é
ellena em chamas


Autora dos livros de poemas Quando vieres ver um banzo cor de fogo (Patuá, 2017) e A duração do deserto (Patuá), Nina Rizzi (SP, 1983), vive atualmente em Fortaleza/ CE. Historiadora, poeta e tradutora, tem poemas, textos e traduções publicados em diversas revistas, jornais, suplementos e antologias. Publicou tambores pra n’zinga (poesia, Orpheu/ Ed. Multifoco, 2012)  e Susana Thénon: Habitante do Nada (tradução, Edições Ellenismos, 2013).  Edita a Revista Ellenismos – Diálogos com a Arte [http://ellenismos.com], e escreve seus textos literários no quandos [http://ninaarizzi.blogspot.com]. Atualmente traduz as Obras Completas de Alejandra Pizarnik.

 

Contatos:

Skook de Algarobas Urbanas

 

Conheça 5 poemas do livro Quando vieres ver um banzo cor de fogo, de Nina Rizzi:

 

 

ninadí ricy



eu já fui uma índia

falava co fogo co'as águas plantas y ventanias
coisas da terra e da boca do céu

dançava me banhava nuinha co'a maloca toda

mais bão memo
era cumê homi branco


***


ensaio pra automutilação

 

um maço de fios me escorre dos dedos
quando os passo nos cabelos

fecho os olhos, as pernas

em consciência do corpo tudo dói
flashes da noite passada, carne moída
gelo nas extremidades, fogo nos entremeios

ouvi:
- você é minha
e não desdisse, um grampo me varou as narinas

matéria suspensa, arremessada
me entrego sem menisquência, como pudesse ser

quando meu corpo cala, falo & aconteço.


***


1.

uma pedra e tudo muda, querido
não tinha agora essa faca tão bem ajustadinha na garganta
e são tantas essas facas que me marcam em aviso
eu também sou a outra, eu também
do alto dos cinco metros de andaime enferrujado
só uma pedra, um elevador, sua mão tremendo na minha
e tudo mais, esse silêncio e as frases tão bem
arranhadas como o joelho que lambe, lambe
esgalamido. não haveria nada a dizer

2.

tenho perdido muitos reinos com o se
percebe a minha irresponsabilidade com tudo
os crisântemos que murcharam, os pescoços que não
eu não lambi, me disseram ontem, eu chorava pescoços, amor
- porque ele está tão aos longes e também aquela toda outra
olho as criancinhas e meu coração se aumenta em batimentos
tantos. tenho paúra deste mau-tempo, senhor d

 

[...]

***

 

3.

quando vieres ver um banzo cor de fogo


talvez a sida ou peste já nos tenha a todos
afectado a pele a não mais luzir o suor dos lombos
os olhos sejam o quê de duas coisas verdes.

também eu estalo e não terei estado em penedo
e faço sacrilégios pra que daqui a lá já não te deva
aqueles quase dois mil euros.

toda carne então é só essa coisa de meter
ternura. e os bocadinhos de lembrança
do lume à cera. vigília e nada.

quando vieres ver um banzo cor de fogo
oxalá não se enrugue esse couro que de tão velho
já não será tambor. oxalá cresçam pitangas, poemas.


***


fuga pra santa maría


uma voz me atravessa a Noite, lentamente. como a base escura de um dente 52, escondido pelos lábios quase finos, tantos grossos, que se me revela junto ao sono supitante. esse dente que me marca em visita. ele me visita. os cantos mais secretos e os rios que rebentam sua ausência y diz: banho-o. como me banha a língua da mesma boca-voz. uma voz me rasga. repito: uma voz me atravessa os olhos, a garganta. eu queria dizer que uma voz me atravessa os olhos, a garganta. mas uma voz me atravessa os olhos, a garganta.
ainda que não erga um sítio, é urgente, urgentíssimo reencontrar a voz. enlaçar-me à voz, num tango, num baião de dois, até o silêncio, até à comunhão dos rasgos e o atravessamento. hasta el libro de los abrazos.

 

 

 


 

 

Conheça 04 poemas do livro A duração do deserto, de Nina Rizzi:

 

merindilogum pra vaqueiro


não, amor, não posso dormir
- um medo terrível de acordar
e nunca mais querer ir embora

c'os olhos mais moles que te posso
entregar, acabar essa ironia e ser
tua exposa, groen hondjie.

***


I take care, I fit, come to me, come ye, jot



tenho o útero partido
metade polvo, agarro as presas, desejo

a mais cuidadosa das mães
definho, para que viva, amor

um outro tanto, descuido
a capacidade de hiena
riso, esfaimento, abandono

encontro em sua arte, a parte
que me une a mim e ao todo, dialógica

matéria repleta de tentáculos
mordo teus lábios no banheiro

imaginário, onde nada é estrangeiro
como tudo; e guardo teu silêncio
minha língua, angústia e fim

[eu te cuido, eu te caibo,...]

***

 

pastoral de yansã e a mulher que não se sabe


eu gostava de me perder e lambuzar
no acidente entre suas pernas, adorava

inspirava o ar que lhe saía das narinas
como o enfim deixar de respirar sofrido

depois, quando minha carne tremia, disse

- quando eu te amo, venta

e nunca mais parou a ventania.


***

 

poema impossível, dionises variegada



lançar meu corpo ao cimo
e alcançar teu nome, abismo.

 

 


 

Livro: Quando vieres ver um banzo cor de fogo

Autor: Nina Rizzi

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 120

Formato: 14x21

Preço: R$ 38,00 + frete

 

 

 


 

 

Livro: A duração do deserto

Autor: Nina Rizzi

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 150

Formato: 14x21

Preço: R$ 37,00 + frete