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Tere Tavares

TERE TAVARES

 


Autora do livro de poemas A linguagem dos pássaros (Patuá, 2014), Tere Tavares é escritora e artista plástica, radicada em Cascavel, PR, autora de outros três livros publicados: Flor Essência (2004), Meus Outros (2007) e Entre as Águas" (2011). Participante de três coletâneas editadas em Portugal: A arte pela escrita III (2010), Cartas ao Desbarato (2011) e A arte pela escrita IV (2011). Integrante da antologia Saciedade dos Poetas Vivos, Vol. 11 (2010), organizada pelo portal Blocos onLine. Teve trabalhos selecionados no Banco de Talentos Febraban com o conto Sem pena de ter (2007) e com a poesia Eu em mim; de um outro lado (2009) – ambos editados nas antologias da Febraban. Ainda em Portugal foram publicados poesias e prosas em diversas edições do Debaixo do Bulcão Poezine. Na  antologia Contologia da revista Arraia PajeurBR 4 (2013) teve a publicação do conto Ainda sobre Margaridas.

Possui trabalhos de poesia e contos espalhados em vários sítios da Internet, dentre os quais os portais Cronópios, Histórias Possíveis, Blocos on line, Ver-o-Poema, Musa Rara, Revista Diversos Afins, Germina – Revista de Literatura e Arte, e revista O grito.

È colaboradora do blog Dardo. Participa do portal lusófono lítero-artístico EscrtArtes. Integra a Academia Cascavelense de Letras onde ocupa a cadeira de número 26. Edita o blog http://m-eusoutros.blogspot.com/

Contatos:

Skook de Algarobas Urbanas

 


Conheça 03 poemas do livro A linguagem dos pássaros, de Tere Tavares:

 

A arte foge ao tempo


Num sonho que é a vigília de acordar
Sobressai de uma lua a brisa morna
A centelha alheia à vontade de interpretar
Custa-me ouvir o que virá de sua presença prateada
A noite é uma espera de madrepérola
Que parece conhecer-me de há muito
A realidade não é essa que espreita o erro da outra realidade que me oculta
Nesse mundo insuficiente
As flores de lume não se findam
Depois de se haverem fecundado
Ao ingresso augúrio das sementes
O silêncio vibra e pendura-se nas pétalas de ouro
No intervalo do meu sonho que era saber-me ao não sonhar
Nada mais que o regresso de outro braço que existiria
Como todas as praias que conheci e os ventos fecundos que perfilei
Saboreando gemidos tão perfeitos e caídos
Tão imersos e gastos num quase exílio
Tudo advinha solenemente à ânsia de razões nenhumas
Como imaginava a minha aldeia calma onde a vida
Perdia-se sem as alterações e as angústias do meu riso
Fugi ao ver o que eu queria na volúpia do que sente
Todo o torpor era mais um quadro,
Cílios que se enchiam de espasmos e jardins
E nomes inteiros de ardis inalterados
No mesmo luar da noite que vigiava a minha dormência falsa
A insônia buliçosa das palmeiras e casarios
O irreal sem obscuridades demorando-se à beira da areia
Tocando as iras da água espessa de suster os meus cabelos lisos de espuma
Num serenar de mundos sem cabeleiras
Nenhum mar sem desejos ou paraísos
Como a lua que iniciava aquele termo fugidio
Onde atemporal me subornava, mínima, ilícita, íris de coisa alguma, para compreender-me e ao meu destino irretratável.

***

 

Em nome de alguém


Onde entrelinhas se entrelaçam
formando nebulosas, autenticidades
tanto estranhas quanto lúcidas,
tanto verdadeiras quanto subjetivas,
diretas como evidentes

...seriam videntes os poetas,
nas gretas das metáforas,
difusões escudadas em palavras ,
velados  no desvelo de crerem-se relevos num quase nada,
quase pássaros num esvoaçar indeciso de silêncios,
quase mundos, quase horizontes, beija-flores.

Não se encontra ninguém para enviar um poema,
haverá quem o queira?
Então se o devolve
...não intacto.
mas com o tato branco da mão que o exercita e o crê,
num ato breve, fora do tempo,
que o espera folhear-se num qualquer livro,
num luzir de escuridão.

***

 

Graças ao que foi possível existir


iniciava-se a noite num dia
em que contei à algumas nuvens
os condutores extintos
ao que chamo servidão
ou fim

entre  pastores e estradas de terra
descobri que ainda havia coragem
e limites duráveis

até a altura pretendida
não era a vida o momento virgem
nem o chamado intacto
o fato, a condição,
a verdade que não fingiria
suportar num instante infinito
o grito de não querer partir
ou salvar o ponderável, o pó de água
desprendendo-se de mim

 


 

Livro: A linguagem dos pássaros

Autor: Tere Tavares

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 100

Formato: 14x21 - acabamento em capa dura

Preço: R$ 37,00 + frete