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André Giusti

ANDRÉ GIUSTI

 

 

André Giusti é carioca, nasceu em maio de 1968. Mora em Brasília desde 1998. É autor dos livros de contos Histórias de Pai, Memórias de Filho, Voando pela Noite (até de manhã), indicado ao Jabuti e que está na 2a. edição, A solidão do livro emprestado e A liberdade é amarela e conversível, - todos pela 7Letras -, e Eu nunca fecharei a porta da geladeira com o pé em Brasília, pela LGE. Publicou também As Estranhas Réguas do Tempo, lançado pela Editora Multifoco, reunindo crônicas publicadas na internet. Os Filmes em que Morremos de Amor é seu primeiro livro de poemas. André Giusti também é jornalista e mantém site/blog em www.andregiusti.com.br

 

 

Contatos:

 

 

Depois de tanta euforia

 

Nos últimos tempos
ficamos mais sérios,
inconveniente que é
contar piadas a toda hora.

Agora somos mais breves,
aconselhados que fomos
a falar apenas
do que é pertinente.

Nos tornamos mais práticos,
estamos nos acostumando
a agir apenas
em benefício próprio.

De uma hora para a outra
o vento trouxe folhagens
amarelas ao nosso rosto
na meia-estação.

Do mesmo modo,
um ciclo acabou
sobre nossos pés
carpintados pela terra.

A primavera este ano
virá feito um toque
de recolher em Gdansk,
despertando ímpetos
de justiça com
as próprias mãos.

(1988)



***



Com o tempo assim desse jeito

 

Quando está chovendo
não é muito bom
escrever poemas.

É melhor bebermos café preto
e acendermos um cigarro
atrás do outro,
enfumaçando a saudade
que nos enlouqueceu.

(1991)



***


Cry, beibi, cry


Poderia esquecer assim
por toda a vida
esses pratos sujos na pia,
e quem se importaria?

Brasil, 23h08 de um domingo
no fundo mais fundo
de um quarto escuro
na zona norte do Rio.

Atravesso a minha própria
cabeça com uma vela na mão.
Tem faltado luz própria
nos últimos tempos.
Mas também,
quem se enxerga por dentro
nessa década de 90?

(1994)



***



Rascunho de ideia para conto místico

 

Fica bem ali,
pouco depois da curva,
onde há a entrada para a mata,
lá onde a tarde atinge seu auge
e encontra seu declínio.
Passando desse ponto,
vira-se à direita
na direção do sossego e do silêncio.
Mais alguns metros depois,
na terceira daquelas casas
esquecidas no tempo,
ela me espera
na varanda do passado.  

(2009)



***


9.

 

Quando perguntarem,
diga rápido que está tudo bem
e mude logo de assunto.
Ninguém verdadeiramente
quer saber como você vai,
se o seu sorriso é pilastra de concreto
ou parede de gesso,
se no fundo ele é uma grande lágrima
com máscara de colombina
no amanhecer da quarta-feira.
Ninguém tá nem aí
se na calada da noite
nem vontade de chorar
você tem mais,
se nem a lua se apieda
e chega na tua cama,
mesmo que na beirada.

(2013)

 


 

 

Livro: Os filmes em que morremos de amor

Autor: Alexandre Giusti

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 100

Formato: 14x21

Preço: 38,00 + frete