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Juliana Bernardo
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JULIANA BERNARDO

 

A autora dos livros Carta Branca (Patuá, 2011) e Vitamina (Patuá, 2013) nasceu no dia dos namorados de 89, em São Paulo. Tem poemas em revistas, jornais, sites literários e antologias, mas sonha, na verdade, ver um poema seu pixado em um muro. Seus textos já estiveram na tv (Programa Arteletra Literatura), no rádio (Paisagens e Poéticas, transmitido na 30ª Bienal Internacional de Artes de SP, e Poesia Viva, feito pelo Fred Barbosa na Rádio Estadão) e ganharam alguns prêmios em concursos literários. Cavaleira andante da Poesia Maloqueirista, se dedica ao Tinta Fresca (encontros mensais para discutir textos inéditos), e ajuda a organizar os outros eventos do coletivo. Atua também no Projeto Praga, apoiado pelo VAI, que tem como proposta intervenções poéticas na cidade de São Paulo. Graduanda em filosofia pela USP, estuda música, tarot e tenta desenhar. Nunca sai de casa sem um bloquinho de anotações.

 

Em 2011, publicou Carta Branca, primeiro título da Editora Patuá. Escreve em orugidodoleaonaocabenajaula.wordpress.com


Confira entrevista ao Programa ArteLetra Literatura!

 


Confira entrevista sobre a autora no UOL Mais!

Confira matéria sobre a Patuá no JC da USP!

 

Contato:

Skook de Carta Branca


Conheça 03 poemas do livro Vitamina, de Juliana Bernardo:

 

por mares nunca dantes navegados

(invocação)


Camões,
a poesia é uma quitinete
sem porta sem janela
me ensina, meu velho
com teu olho cego a olhar
através dela

***

 

dia do juízo


juro: deus me disse pra estocar papel
não agora, mas um dia
até lá poupar e esperar
a greve feliz dos eucaliptos
será o fim dos extratos bancários
e do tormento dos professores
teses de mestrado nos muros
dinheiro como pobre papel de rascunho
os livros sendo escritos heroicamente sobre os livros escritos
cartas de amor na pele do amor
enquanto em casa, lustres puffs panelas de papel
vou escrever nos colchões tapetes
e no fundo do céu
nunca mais vai arder estrela, só papel
papel colorido branco amassado
papel poupado no travesseiro dos anjos
farei também um colar de origamis
para a presença espiritual do papel
em torno da minha garganta
não agora, mas um dia

 

***

 

se viver tivesse ensaio

para Victor Rodrigues


se viver tivesse ensaio
seríamos profissionais:
frases maravilhosas
sacadas geniais

ser ridículo jamais
jamais pisar na bola
não teria choro nem samba
seria tudo glória

saberíamos o tempo
de fazer comédia
a  alegria, uma cena
o êxtase, uma estratégia

seríamos todos sábios
príncipes das conversas
recorrendo sempre
à wikipédia

não perderíamos tempo
com namoricos
com aquele amor do passado
passaríamos

nunca mais andar com a sorte
nunca mais erro e perdão

e se no dia da nossa morte
tivéssemos a impressão
de que faltou sentido pra vida
poderíamos lembrar
da companheira perdida:
a imperfeição

***


Conheça 3 Poemas do livro Carta Branca:

 

Referências



uma árvore fina se balança
aos pés dos edifícios


não suponham reverências
na sua grande ironia:
ter os pés no chão não a impede
de se sacudir na ventania.

 

***


correspondência



por favor, não pare de me falar sobre você
nos ligamos – convites anelados
beijos são palavras abertas
eletricidade escapa, cabos se partem
em que parte te encontro?
não confie na memória
ela é um correio lotado de cartas brancas
não suspire
o tempo é corrosivo porque mora nos silêncios
de repente enferruja cartas cabos lábios
enferruja a gente
não é certo não é certo, suspiro
toques me despertam
mãos de prata como bandejas
e debaixo da mesa pernas encontram pernas
vamos arquitetar uma fuga com elas
arquitetar uma ponte e envelhecer sem segredos
temo que seja o fim da ligação
terrível enxaqueca
poupe os anúncios em branco
anúncios são convites malcriados
anoto na passagem: preciso de um mapa
nossa correspondência está aos pedaços
quem leu a última parte?
você sempre faz mapas quando está triste?
é o fim. Não confio na memória

 

***

 

Inventário


acabar de transar beber coca cola
dissimular rir abrir a janela
contar as horas num relógio de aço
deitar os pratos e deixar que anoiteçam sem lavar
escrever no escuro um poema incorruptível
pensar os santos como pássaros histéricos

dizer: estranha, senta nesta mesa
perdoa as mentiras
o canário morto e outros requintes
dessa paz corrosiva que nos persegue

outro copo e não ouso penetrar
no milagre que assombrou o pássaro
a enumeração tremulando

ninguém falou de amor

 

 


 

Livro: Vitamina

Autor: Juliana Bernardo

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 92

Formato: 15x20

Preço: R$ 30,00 + Frete

 

 

 


 

Carta Branca, de Juliana BernardoLivro: Carta Branca

Autor: Juliana Bernardo

Gênero: Poesia

ISBN: 978-85-64308-00-8

Número de Páginas: 76

Formato: 12x18

Preço: R$ 30,00 + Frete