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Rafael F. Carvalho
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Rafael F. CarvalhoRAFAEL F. CARVALHO

Autor dos livros Terceiro livro (Patuá, 2015), A Cor do Sal (Patuá, 2013) e A Estante Deslocada (Patuá, 2011) é paulistano, nascido em 27 de Fevereiro de 1978. Foi publicado em antologias de novos escritores e em jornais universitários, e é formado em Letras pela Universidade de São Paulo.

Confira a resenha do crítico Acauam Oliveira sobre o livro A Estante Deslocada na Revista Germina Literatura!

 

 

Contato:


Conheça 03 textos do livro Terceiro livro, de Rafael F. Carvalho:

 


Meu amigo ouve as músicas gravadas pelo seu avô. Leio os livros que ganhei do meu. Partilhamos as lembranças daqueles que nos influenciaram. Ouvimos, e lemos, nossas saudades.


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A garrafa de água fica do lado de fora, não guardo na geladeira. Gosto do gosto dos dias.



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Para Xalo Almeida


Uma peça falta para completar o quebra-cabeça. A peça que falta, justamente, não encaixa, ela tem outras cores, outro formato e não se ajusta de jeito nenhum. Está errado, o fabricante errou, não pode ser essa. Abro a caixa, procuro, não há mais nenhuma. Pego uma tesoura e recorto as partes que não encaixam. Aí a peça completou o desenho. Todos estranharão o que fiz, dirão que eu estraguei a figura. O quebra-cabeça ficará com peças recortadas e diferentes. Sem ela um buraco apareceria, frio e triste.


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Se, no xadrez existem milhões de maneiras de fazer as primeiras jogadas, costumo começar de um modo só: renuncio a todas as minhas convicções, deixo de ser o que eu sou. Por alguns segundos, eu vou em busca de meus sonhos, usando toda e qualquer vantagem, trapaceando descaradamente.


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Conheça 03 Contos do Livro A Cor do Sal, de Rafael F. Carvalho:

 

 

O papel da literatura é o papel de pão, a conta do supermercado, o recibo do cinema, a revista dos fatos da semana, o encarte do disco, o caderno da escola, o cartão de descontos, a prova do vestibular, a enciclopédia vendida na porta, a coleção de livros infantis, a nota do cartão de crédito, a cédula de dinheiro, a contracapa, a capa, a carta de despedida, o bilhete amoroso, o envelope, o voto da urna, a lista de compras, a lista telefônica, o rótulo da embalagem. O papel em que escrevo é tão bom quanto. Palhas de arroz.

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Termino de pintar e minhas mãos permanecem sujas de tinta. Sem perceber, minha casa, as páginas dos livros, as roupas e o meu rosto ficam marcados, manchados, sem que eu possa fazer alguma coisa. A pintura faz parte da minha vida dessa forma, invadindo sem perceber. Marcando os livros. As roupas ficam ruins. O rosto está ruim. As paredes confundem a vista. Riscos e borrões ilustram tudo o que me cerca, porque sei qual a sua motivação. Por isso não lavo as mãos depois de pintar. Tudo fica sujo, tudo está sem pureza, porque é assim a vida que levo.

 

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Minhas ilusões não duram tanto quanto eu gostaria. Acostumei-me a viver em uma rodoviária.

 

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Conheça 03 Contos do livro A Estante Deslocada, de Rafael F. Carvalho:

 

Eu sei por que escrevo, tenho em mim a resposta e não precisei de filosofias inúteis para sabê-lo. Quero o oposto das coisas. Se estou no ar, o chão domina a paisagem. Da terra, o céu convida. Abro o caderno para escrever e procuro por páginas já preenchidas. Pego um lápis de ponta quebrada para apontá-lo. Faço de pé para depois sentar. Paro de escrever, fecho o caderno, guardo o lápis e devolvo minha alma a todos. Saio de casa para ver pessoas. O contrário de escrever é participar, do mundo.

 

Antes de casar, um dia antes, minha mãe e os meus avós estavam conversando na cozinha, e o meu avô começou a colar os azulejos da parede. Eles estavam caindo, se não tomassem cuidado, cairiam no chão em muitos pedaços. Meu avô pegou uma cola para recolocá-los no lugar, muitos já estavam soltos. Minha mãe quis ajudar e sentou ao seu lado. A filha e o pai ficaram a noite inteira colando azulejos na parede, dividindo aquela tarefa. Depois da parede refeita, pela manhã, os dois foram se arrumar para o casamento. Ele levou-a para a igreja, conduziu-a ao altar e fez-lhe companhia durante as palavras do padre. Ela era do marido, da outra família, dos amigos. Ah, o meu avô ficou feliz, a parede da cozinha estava com os azulejos fixos, imóveis, sempre que sentava à mesa.

 

Não quero mais a poesia, não quero mais. Eu a nego sem medo de excomunhão, sem o mínimo remorso. Mando às favas os poetas, tolos, as poetisas, vazias. Quero a prosa, a prosa responde e indica o caminho. O sol de todo dia aparece e se põe em uma linha horizontal.

 

 


 

 

Livro: Terceiro livro

Autor: Rafael F. Carvalho

Gênero: Conto

Número de Páginas: 80

Formato: 13x19

Preço: R$ 32,00 + Frete 

 





 

Livro: A Cor do Sal

Autor: Rafael F. Carvalho

Gênero: Conto

Número de Páginas: 80

Formato: 14x21

Preço: R$ 30,00 + Frete

 

 

 

 

 


 

A Estante Deslocada, de Rafael F. Carvalho

Livro: A Estante Deslocada

Autor: Rafael F. Carvalho

Gênero: Conto

ISBN: 978-85-64308-02-2

Número de Páginas: 78

Formato: 12x18

Preço: R$ 25,00 + Frete

 





 


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A Estante Deslocada, de Rafael F. Carvalho