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Willian Delarte
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WILLIAN DELARTE

 

Autor do livro Sentimento do Fim do Mundo, Willian Delarte foi vencedor do II Festival de Literatura do Curso de Letras da USP, graduado pela mesma e finalista do 15° Projeto Nascente. Músico por paixão, hoje aceita que a caneta faça mais sons que as baquetas. Escreve no jornal Conteúdo Independente, em guardanapos e também em seu blog.

 

Contato:

Skook de Caramelos e Almofadas

 

 

3 Poemas de Willian Delarte

 

Outro Dia


Há dias cinzas que redomam o Sol

e mesmo sem qualquer nuvem morta no céu,
vem a surgir mais nublado que as noites,
calando as brisas,
os pássaros
e os vira-latas de esquina.

Dias em que as flores murcham
e os carrapatos tendem a morrer obesos e entediados.

Quase terça, quase segunda,
um misto de fila de banco
com volta ao trabalho depois das férias.

São dias em que a tevê é uma tortura,
a cama, desconfortável,
as ruas, desertas,
e o rádio insiste em repetir as canções do verão passado.

Você poderia chorar,
mas as vistas estão secas,
a alma, muito magra,
e o coração não pesa mais que um sopro aberto no ar.

Uma certeza existe,
acordar fora um erro,
e uma dúvida morde-lhe o fígado lentamente:

não saber se foi ontem
ou hoje
que você acordou com a impressão de que o dia jamais acabaria...

 


Manhã de Trabalho

Sono,
olho ardendo,
uma bigorna trançada nos cílios -
vontade de fechar e nunca mais abri-los.

A boca seca
ruminando
o jantar de ontem.

Uma sede incômoda,

sensação de que a qualquer momento
as sobrancelhas despencarão.

Em dias assim é que queremos
sempre
um pouco mais:

apagar as luzes,
trancar a porta,
descansar o Mundo -

e você já não sabe bem
o que te mantém de  pé,

talvez a fé,

talvez a preguiça de imaginar algo diferente.

 

 

Redenção

Um corpo celeste
rasga o firmamento,
calmo, violento.

A atmosfera estuprada
observa o mundo
gemendo.

Afrouxa-se o sagrado Buraco-de-ozônio
(relíquia íntima dos homens modernos)
e uma breve sombra sobre o país
revela ao povo
(sempre resignado)
um pouco mais do seu futuro:
o sempre obscuro, o sempre esperado.

Severina (a velha nordestina)
reza o Terço da Redenção...

Tumulto na American Airlines:
ibope e prantos na televisão.

Alucinados,
anões, frades e mendigos
ensaiam discursos para Deus

(ignoram o Deus de Severina,
sem músculos
e cheio de Graça).

Loucos fogem dos hospícios
e se misturam aos blocos na avenida:
Mangueira, MST, Greenpeace e Parada Gay.

O cometa se aproxima...

Batucadas de norte a sul do país
consagram um povo em êxtase!

E Severina continua a passar as pedrinhas do rosário...

Deus sorri,
mais certo de sua decisão -

quer logo ajoelhar-se aos pés de Severina,
olhar em seus olhos,
implorar seu perdão.

 


 

Livro: Sentimento do Fim do Mundo

Autor: Willian Delarte

Gênero: Poesia

ISBN: 978-85-64308-07-7

Número de Páginas: 124

Formato: 12x18

Preço: R$ 25,00 - Frete Grátis, aproveite!