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RENATO SILVA
Autor do livro Uma Cidade nas Nuvens é aquariano peixe fora d’água. Ao nascer, Renato não chorou. O que pensavam ser coragem não passou de distração: e essa não passará jamais – é o que ele diz só para contradizer na sequência. Nefelibata, paulistano, dislexo e agnóstico. Gosta de gente, criatividade, música, futebol, cerveja e torresmo.
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5 Poemas de Renato Silva
Tato
O muro é o aperto de mãos com o vizinho. A fechadura é o piparote no ladrão. Meu quarto é a mão que me faz carinho. Aponta o caminho da rua o portão.
A sala de estar aplaude a visita. Fuck-you para o sereno: contrato. A janela faz figas por uma manhã bonita. Minha casa, meus senhores, tem tato.
Metamorfose
Escrever era fácil Do dificilíssimo ao insuportável como num piscar de olhos
Agora, que escrever é impossível, a gente dá um jeito -
há trevas : atreva-se
Durante a chuva de bolhas puges com uma resposta dentro
Puge : Cor do inseto de mesmo nome. Dotada de raro poder hipnótico arrepia a quem avistar-lhe seja na pele da terceira lua, nos olhos da mulher-coruja ou no mágico líquido - pai da eterna guerra entre Tríplice Serena : elfas, gnomos e magos ; e Tríplice Encantada : fadas, duendes e unicórnios - cujo odor encontra metáforas na expressão absurda de quem o descobre mas nunca na finitude das palavras que inocentemente afirmam : o doce daquela poção feito sonho de bebê.
E se depois enquanto flutuares com as árvores pelo céu chimpute (outra cor inimaginável) durante a chuva de bolhas puges com uma resposta dentro e margaridas sabor chocolate sua curiosidade - que atravessara o portal e bebera daquela fonte - se perguntar mas quem é esse alquimista fabuloso que deixou a água a ver navios saiba de antemão : Deus é Deus por ter feito a água incolor - insípida - inodora quando poderia mais, muito mais, tudo e mais um pouco, muito mais que essa poçãozinha dos diabos.
Sou um mendigo
Sou um mendigo bem sucedido : só como pão francês.
Protesto
Em protesto à minha falta de criatividade algumas letras "Os" deste texto estão de ponta cabeça. Outras, cães, inimigas de si ou ao menos do rabo, giram, incessantemente como se a inércia expelisse ruídos capazes de a musa da inspiração, destroná-la do alvo algodão de sua nuvem, convertendo-a a terrestres estratagemas. As experientes, sabedoras que este protesto é, a moda de certos répteis, o veneno que cura, mantém-se de pé: imponentemente rechonchudas. Menos a última que não entende destas coisas paradoxais.

Livro: Uma Cidade nas Nuvens
Autor: Renato Silva
Gênero: Poesia
ISBN: 978-85-64308-11-4
Número de Páginas: 144
Formato: 12x20
Preço: R$25,00 + frete grátis, aproveite!
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