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Edison Veiga

EDISON VEIGA


Edison Veiga nasceu em Taquarituba (SP), em 30 de agosto de 1984. É jornalista e escritor, autor de Titereiro (Patuá, 2014), Mingutas (Patuá, 2011), O Menino Que Sabia Colecionar (Panda Books, 2012),  O Theatro Municipal de São Paulo: Histórias Surpreendentes e Casos Insólitos (Senac, 2013), entre outros. Mantém uma página no Facebook com curiosidades históricas de São Paulo (facebook.com/paulistices), extensão de sua coluna publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo e em blog do Estadão.com.br (oesta.do/edisonveiga).

 

Contato:

Skook de Algarobas Urbanas

 


Conheça 05 poemas do livro Titereiro, de Edison Veiga:

 

Retrato do poeta quando hoje


O poeta está escondido debaixo do lençol. Não quer ver o mundo que ajudou a criar de seu jeito aleatório. Tem pena daqueles que, nervosos, espantam olhos alheios com palmatórias de ideias. Não sabe sorrir. Acha difícil que a crise mundial de nervos não se espalhe logo pelas linhas telefônicas congestionadas.

O poeta prefere estar escondido debaixo do lençol. Ali, no escuro, luzes apagadas, porta e janela fechadas, é só um suspiro. Um suspirar. Um suspirar eterno, frenético, indecifrável exatamente. Os absurdos que ele colecionou surgem um a um, pedem a bênção, codificam sentimentos, depois somem sem nenhuma inferência ou ilação. Alguma coisa dentro de si sangra, secamente.

O poeta não tem opção senão se manter debaixo do lençol. Um esconderijo ensimesmado, feito uma pulga em repouso, na frente das orelhas. Cada pensamento que se lhe apresenta traz embutido a esperança fedorenta de que dali a um dia, uma semana, um mês quem sabe a chuva voltará carregada de versos brancos, limpos, lavados.

Como a alma, se ele a encontrar novamente.

 

***

 

Receita

 

Extrair
da dobra o nada
da obra o cada
do cadarço o ranço.

Depois
perder tudo.

Perder-se
agulha na palha
cachorro louco
caminhão.

Depois
prender tudo.

Com um clipe especial
tamanho GG
prender: caminhão
dobra cadarço
cada obra
nada ranço
louco palha
agulha cão.
Prender-se
a chaves, muitas.

***

 

Aforismo desaforado


Escrever para mim é um destino.
(Se eu não for remetente.)


***

 

Poemapronto do descumpridor de prazos


de prazos que desprezo
desconfio que gosto

que de tão apertados
os ponteiros lambam
de minha religião
relógio ilógico

e cada lambida do tempo
alimento
com a língua atenta
um tempo
novo
de novo

que de tão apartado
aponte com o dedo
um ponteiro na contramão
desapontado

depois o intento:
um atentado contra
o próprio tempo
de prazos
desprezos.


***


Tristeza


Para um colecionador de madrugadas, não importa o tamanho da noite
Nem se ela é quebradiça
Ou se queda solitária.

Quando no horizonte a única ponte liga o vazio à tristeza
Não há nada que sirva
De consolo.

A perda é uma pena
Pedra
Pedra.



 

Conheça 03 trechos do livro MINGUTAS: CORRENDO DA CARRANCA DO CARIMBO, CARAMBA!

 

imbróglio ou embrulho

Um dia, ou uma noite, não sei ao certo porque não vi, estavam todos os nove mingutas cor de abóbora deitados ao sol do meio-dia, ou à lua da meia-noite, não sei ao certo porque não vi, me contaram, e eles diziam sem parar bom dia, ou boa noite, não sei ao certo porque não vi, me contaram, mas eu dou fé, e começaram todos a tentar esquecer a pequenez daquele dia, ou daquela noite, não sei ao certo porque não vi, me contaram, mas eu dou fé, fonte confiável, só que não é nada fácil conseguir esquecer todo um dia, ou uma noite, não sei ao certo porque não vi, me contaram, mas eu dou fé, fonte confiável, não tem nem como contestar.

 

das coisas da vida e suas implicações teóricas

Pessoas são engraçadas. Quando nascem, choram. Quando morrem, fedem. Reclamam que a vida é curta, mas morrem de tédio e ficam inventando passatempos pra matar o tempo: suicidas.
Pessoas são engraçadas. Nunca, mas nunca mesmo, se satisfazem completamente e ficam reclamando da dureza da vida da chatice do trabalho da azia dos filhos do fracasso do time de futebol das dificuldades da trigonometria das pedras do meio do caminho. Mas gostam de viver abominam o desemprego têm filhos porque querem amam futebol estudam por opção fazem poesia.
Pessoas são engraçadas. Inentendíveis, mas engraçadas. Complicadas, mas engraçadas.
Não quero ser humano.

 

scrap

Hoje estava tartamudeando sozinho por aqui e pensando como sou um homem triste, destes que se fabricavam antigamente, que choram em segredo e cantam quando veem chover lá fora.
Sou o homem fabricado às antigas e minhas flores são mais frágeis que as de um ipê-roxo.
Então estava só como a fotografia. Uma sombra, um assombro, uma nesga de nada ou de talvez.
Acho que não sou nem metade daquilo.

 

 


 

 

Livro: Titereiro

Autor: Edison Veiga

Gênero: Poesia

Número de páginas: 120

Formato: 14x21

Preço: R$ 32,00 + Frete

 

 

 


 

Livro: Mingutas: correndo da carranca do carimbo, caramba!

Autor: Edison Veiga

Gênero: Romance

ISBN: 978-85-64308-10-7

Número de páginas: 144

Formato: 16x16

Preço: R$ 32,00 + Frete